Support us

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A Chave de Sarah

Interessante dizer que venho me apaixonando aos poucos pelo cinema de outras nacionalidades, e antes se odiava filmes franceses, esse ano posso dizer que mais um veio me surpreender, o responsável nada mais é que o belíssimo "A Chave de Sarah", que mesmo mexendo em feridas do nazismo na França consegue com seu formato quebrado indo do passado ao futuro incessantemente, ligar ambas as pontas maravilhosamente. Poderia eliminar algumas cenas que podem até ser consideradas inúteis mas mesmo elas conseguem ter seu valor e incrivelmente a cena final que achei dispensável para a história foi a única que conseguiu arrancar algumas lágrimas.

A trama acompanha uma jornalista americana que vive na França e é designada para cobrir as comemorações do 60º aniversário do Vel dHiv, episódio do qual ela nunca ouvira falar até então. Ao apurar os fatos ocorridos, a repórter constata que o apartamento para o qual ela e o marido planejam se mudar pertenceu aos Starzynski, uma família judia imigrante que fora desapossada pelo governo francês da ocupação, e em seguida comprado pelos avós de Bertrand. Julia decide então descobrir o destino dos ocupantes anteriores e a história de Sarah, a única sobrevivente dos Starzynski, é revelada.

A grande sacada do filme é a intermitência dos fatos, rolando entre a história de Julia que vai descobrindo aos poucos a história de Sarah e nos deixando cada vez mais curiosos com os fatos como tudo foi acontecendo. Na minha opinião dramas devem seguir sempre esse formato, pois instiga a curiosidade do espectador, e garanto que se um dia esse longa passar na TV será um daqueles que a emissora praticamente não verá share, pois todos ficarão presos para saber o final, o qual é bem interessante.

No quesito atuação, Kristin Scott Thomas faz bem o papel de jornalista investigativa, e conhecendo alguns do meio sei bem que todos preferem muito mais a sua matéria do que ligar para a própria família, então ela consegue nos transmitir isso embora haja pequenos deslizes entre algumas cenas, mas nada que atrapalhe no total. A garotinha Mélusine Mayance também agrada demais nos seus momentos de tela, fazendo altas expressões tanto que ela fez tão bem seu papel na infância de Sarah que a parte jovem e adulta preferiram nem aparecer interpretando apenas usando fotos e cenas soltas, uma boa sacada para não eliminar o trabalho bem feito.

A fotografia do longa é muito bem feita e na cena do poster é algo tão lindo que o longa poderia se passar inteiro ali sem cansar a vista com aquele enorme plano aberto. A única reclamação que teria a fazer é que poderia ter sido usado dois tons para distinguir passado e presente, mas como os personagens são outros então nem dá tanto problema, é uma questão de preferência minha. No quesito arte embora detalhes simples foram usados, sem nada que seja efetivamente grandioso, mas tudo cai bem em cena e agrada, até o figurino bem pobre usado nos judeus ficou interessante.

Já disse algumas vezes e reforço, em dramas muitas vezes a ausência de trilha é a melhor opção, grandes acertos aqui no longa se devem a isso, o filme fica mais sério e faz com que fiquemos presos esperando algum acontecimento mais do que aquelas trilhas de filme de terror que vão aumentando o volume, e alguns dramas fazem uso da técnica. Lembrem-se menos é mais em trilhas.

Enfim, é um filme muito bom que tirando míseros detalhes, beira a perfeição de dramas, recomendo que se ainda estiver passando em sua cidade acompanhe ele no cinema, senão alugue assim que possível, pois vale a pena. É um filme de 2010 mas que caberia muito bem uma indicação de filme estrangeiro. Encerro por aqui, mas volto na quarta. Abraços pessoal.




domingo, 18 de dezembro de 2011

Roubo nas Alturas

Cada filme que apareceu de comédia nesse ano foi uma surpresa pra mim, algumas boas outras ruins. Algumas super esperadas, outras surgiram sem nem mesmo sair trailer no cinema. "Roubo nas Alturas", teve seu trailer solto numa das sessões com mais problemas que já presenciei numa sala do Cinemark, ou seja, nem o vi direito, e quando assisti novamente foi um dos que falei, nossa vai ser mais uma porcaria do ano. E cá estou após assisti-lo e confirmar como uma das mais bem boladas tramas de uma comédia sem exageros e que diverte na medida certa com boas pitadas de um plano de roubo atrapalhado.

O filme mostra como um administrador de um edifício de luxo e seus amigos tiveram todas as economias roubadas por um trapaceiro de Wall Street, e resolvem se vingar, armando um grande assalto, pensando em recuperar o dinheiro perdido.

Com uma sinopse simples, o filme também poderia ser considerado simplório pela maioria, mas não vá assisti-lo com esse pensamento, vá pensando em se divertir como presenciei na sala onde eu estive, onde a maioria dos espectadores ali presentes pareciam estar altamente envolvidos com o longa e se empolgando a cada cena de ação bem executada pelos atores. E como já falei outras vezes por aqui, na minha opinião o cinema é isso, fazer com que o público pagante tenha um momento de descontração e saia feliz pelo que pagou. Então se os roteiristas e o diretor conseguiu fazer o público entender, se divertir e ter a satisfação de ter gasto um dinheiro em uma sessão, o filme já se faz por valer.

A trupe convocada para o longa embora sejam um pouco caricatos conseguem fazer do longa uma boa comédia sem precisar apelar para o que mais odeio nas comédias pastelões que seria as escatologias. Aqui apenas ficam nas piadas raciais características dos filmes de Ben Stiller e nas caretas tradicionais de Eddie Murphy. Mas como o plano do longa é algo mais elaborado no contexto do motivo que estão ali para roubar tudo vale. Embora Stiller tenha sua cara de bobo naturalmente aqui nas cenas iniciais até faz um exemplar gerente de hotel que estamos acostumados a ver por aí.

O longa é muito bem produzido com bons cenários e como locação escolhido o prédio de Donald Trump em frente ao Central Park de Nova York, um dos mais luxuosos hotéis para se passar a história. E com isso a direção de arte teve todo o trabalho de recriar muito bem os cenários do hotel para não ter trabalhos e está bem visto em detalhes espalhados por todo o filme. A réplica do carro de Steve McQueen também muito bem feita, é um detalhe bem valorizado. A equipe de fotógrafos também soube fazer o que o diretor quis usando planos abertos e tomadas de câmera vertiginosas nas cenas do prédio, vale prestar atenção, porque ficou bem colocado a idéia que quis passar.

Outro ponto muito bem encaixado no roteiro são as discussões sobre filmes entre os protagonistas, mostrou um conhecimento de obras relevantes que foram bem citadas e argumentadas. Ponto positivo pro pessoal da edição que não eliminou a cena embora não seja algo tão necessário ao filme, mas para os cinéfilos é uma cena agradável de ver.

Boas trilhas escolhidas para dar a velocidade que necessita nos momentos rápidos e trilhas cadenciadas marcam o ritmo nos momentos de maior tensão e apreensão, como já falei as cenas do prédio são vertiginosas e geram uma boa aflição, pelo menos pra mim, e lá a trilha quase omissa entra como fundo para ajudar a conduzir essa tensão.

Como não era algo que eu esperava nada pelo trailer, acabei sendo surpreendido e fiquei muito feliz com o que vi, recomendo com toda a certeza que o assistam, pois é diversão garantida com uma boa história. Deve agradar na medida e fazer um bom público aqui no Brasil, mesmo estando com a maioria das cópias dubladas, pois é um gênero de comédia que agrada e empolga salas lotadas como a que estive hoje. Fico por aqui, mas amanhã tem mais. Abraços pessoal.




sábado, 17 de dezembro de 2011

Dawson Ilha 10

Filmes de ficção documentais, aqueles que contam a história de alguém ou algum acontecimento real, mas na forma de visão de alguém, sempre serão contraditórios ou no mínimo cansativos, pelo menos na visão da maioria das pessoas. Hoje por exemplo na sessão que fui de "Dawson Ilha 10", haviam 5 pessoas, eu e mais 2 permanecemos até o fim, mas dois saíram não estava nem na metade do longa, e põe longo nisso, pois o filme parece ter uma eternidade de duração de tão lento que é.

O longa nos mostra que em 1973, o general Pinochet lidera o golpe de estado que depõe o governo democrático de Salvador Allende no Chile. Os ministros e autoridades depostas tornam-se presos políticos dos militares e são levados para a ilha Dawson, no extremo sul do país, utilizada como campo de concentração da ditadura chilena. Lá os presos políticos são submetidos a violentos interrogatórios, trabalhos forçados, constantes torturas físicas e psicológicas. Dawson Ilha 10 representa um momento histórico que se propagou por toda América do Sul.

Nessa produção que envolveu equipe técnica do Brasil, Chile e Venezuela, o diretor até tenta nos passar a sua visão, ou melhor a visão do escritor do livro no qual o filme é baseado e pode até conseguir principalmente nas pessoas que são fãs de história, devido ao alto teor da ideologia comunista envolvida nele. Ao assistir esse filme me senti da mesma forma que quando assisti "Che", pois embora seja algo do qual já ouvimos falar no colegial não temos tanto conhecimento para saber da história de um país que não é tão explorado na mídia e a forma escolhida pelo diretor para contar não é algo que cative o espectador.

Falar das atuações é complicado pois o longa tem tantos personagens, e logo que chegam na prisão já recebem nomes de Ilha 1, 2, 3, .... e por aí vai e os guardas os chamam assim, mas entre eles se chamavam pelos nomes, então a confusão é maior ainda. Todos fazem bem seus papéis embora os guardas pudessem parecer menos abobados. Os destaques ficam com o escritor, o engenheiro/desenhista e com o médico que por aparecerem mais conseguem cativar mais os olhares do público que aguentar ficar até o final.

A fotografia que optaram para o longa na minha opinião é o que tem de melhor para retratar tanto a época/lugar onde está se passando, pois a paisagem gélida exigia mesmo o tom acinzentado e o sépia escolhido para representar os flashbacks e noticias jornalísticas caiu num tom bem colocado, claro além da sujeira/ranhuras na imagem nesses momentos. Ficou agradável. Como sempre falo filme de época sem uma boa equipe de arte é querer matar a trama, e embora tudo seja feito com planos não tão abertos para não pecar em detalhes, é notável a falta de elementos que caracterizem a época que se passa o longa e se não fosse os textos que são colocados seja em legenda ou em imagens ficaria quase impossível distinguir 1973 de alguma guerra que estivesse acontecendo agora ou mais no passado ainda.

As trilhas colocadas agradam, principalmente no momento em que é dado um violão para um dos personagens e esses começam a cantar inclusive canções que conhecemos, acredito que a cena até deve ter sido inserida depois para que desse um pouco de cadência ao longa que estava quase morto de tão devagar, e ela é a única que diverge bem do contexto do filme.

Enfim, o longa não irá agradar o público em geral, e mesmo tendo sido a opção chilena para o Oscar de 2010 acabou não sendo escolhido para estar entre os indicados de filme estrangeiro, e claro por não ser algo tão comercial acabou que mesmo sendo produzido e exibido em seu país de origem Chile em 2009  acaba sendo exibido aqui no país co-produtor apenas agora no fim de 2011, e não deve nem sequer levar meia sala nem nas capitais, pelo menos na minha opinião. Não o recomendo, mas não é um filme de todo ruim, apenas extremamente cansativo devido a lentidão dos fatos. Fico por aqui hoje, mas amanhã tem mais. Até mais pessoal, abraços.



sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Assalto em Dose Dupla

É engraçado quando um filme do qual você nem sabia da existência estréia, você chega no cinema, o horário mais próximo é o dele, você entra para a sessão e se diverte com algo que você mesmo já começou absurdamente e o filme consegue ser mais absurdo impossível de modo que tudo seja genial. Essas palavras que inicio o texto é a melhor forma que encontrei para definir "Assalto em Dose Dupla", um longa que agora estou lendo roteirizado pelo mesmo maluco da franquia "Se Beber Não Case", e agora sabendo isso tudo está explicado, pois o filme é altamente irreverente, mas sem as escatologias para fazer divertir apenas usando de inteligência e acasos.

A história nos mostra Tripp que caminha em um banco, quando duas gangues diferentes, uma claramente formada por profissionais e a outra por uma dupla de palhaços, aparecem para um assalto. Ao notar o que está prestes a acontecer, Tripp aborda a bela caixa do banco Kaitlin com a intenção de protegê-la. Quando a ação é iniciada, o sistema de segurança do banco tranca as portas e mantém todos dentro do prédio. Durante a noite, um hilariante jogo de gato e rato segue, enquanto Tripp e Kaitlin tentam salvar o dia.

Ainda estou abismado com o roteiro, pois usando de apenas uma pessoa como mestre em desvendar enigmas e vários flashbacks(coisa que odeio normalmente, mas aqui foi tão bem usado que agrada), o longa nos prende com tantos absurdos acontecendo num roubo a banco que jamais pensaria em acabar o mistério da forma que acaba. Tudo é tão incomum que os filmes de assalto a banco, que voltaram a entrar na moda, nunca mais serão vistos da mesma forma pela minha pessoa. Confesso que até a metade do longa eu estava falando que porcaria de filme estou vendo, mas na hora que começa a mudar de comédia boba para um mistério com comicidades, o longa toma uma forma genial que ainda estou pasmo com o final que conseguiram. Com esse filme, afinal não sou fã dos "Se Beber Não Case", os roteiristas Jon Lucas e Scott Moore entram pro meu hall de grandes roteiristas de comédia.

Quanto da atuação, tirando Patrick Dempsey que está em foco a todo momento e faz muito bem seu papel, os demais acabam se tornando coadjuvantes, mas quem pensa que estragam o filme em momento algum os que estão sempre em foco alternando com Dempsey agradam em cheio. Os personagens secundários poderiam ser eliminados, mas daí seria muito pouca gente envolvida na proposta que o filme quis, então apenas os ignore.

No quesito de direções, o diretor poderia ter abusado um pouquinho quebrando mais o filme e necessitando menos de flashbacks, mas como falei foi usado da melhor forma e não atrapalha a sintonia do filme. A direção de arte nem tinha porque arrumar muita coisa, afinal estamos em um banco, e este está bem caracterizado para a necessidade do longa. A fotografia me pareceu um pouco envelhecida, mas não foi dito datas na história, então não era necessário, mas os planos escolhidos estão bem usados para poder dar o ar "policial" que a trama pede nos momentos finais.

Enfim, é um filme bem feito, engraçado e bem tramado, o início até pode parecer bem estúpido, mas com as devidas explicações do miolo, fará todos saírem satisfeitos. Recomendo como uma boa diversão sem as tradicionais nojeiras que acontecem normalmente nas comédias do estilo, ainda contém as piadas bobas, mas não atrapalha. Fico por aqui hoje, mas essa semana teremos muitas atualizações por aqui. Até mais pessoal, abraços.


sábado, 10 de dezembro de 2011

Amanhã Nunca Mais

Vigésimo nono filme brasileiro dos 181 filmes que vi no cinema neste ano, mostra que enfim a produção e distribuição de filmes nacionais aumentou, claro está muito longe ainda de ser uma potência, mas já vemos um crescimento agradável, tanto no quesito técnico quanto de histórias. Outro ponto que me surpreendeu é que surgiram muitos diretores iniciantes, e que principalmente mostraram garras para sair da mesmice que assombrava nosso cinema. "Amanhã Nunca Mais" se enquadra nessas duas estatísticas, tanto por fazer um filme um pouco diferente dos nossos padrões, e por ser o filme de estréia do diretor Tadeu Jungle, e se tenho algumas palavras para definir o longa é diversão com uma dose de desespero. Só terminaria ele de forma diferente para aí sim ficar excelente.

O filme conta a história de uma noite extraordinária na vida de um homem que não sabe dizer “não”. Walter precisa buscar o bolo de aniversário de sua filha e o que parecia ser uma tarefa simples se mostra fora de todos os costumes. Aquela noite de sexta-feira nunca será esquecida e Walter nunca mais será o mesmo.

O diretor que também está na equipe de roteiro, consegue amarrar a história colocando problemas em cima de problemas e cada vez o protagonista parece estar mais enrascado que tudo, e pelo andamento do longa, o qual tem um bom ritmo, tudo parecia nos levar para uma solução completamente fora dos padrões que me deixaria extremamente animado e feliz da mesma forma que fiquei o longa inteiro.

Lázaro Ramos, é um ator multi-facetas que só tem um pequeno problema pra seguir o mesmo rumo que Wagner Moura e se tornar "O" ator brasileiro, são seus altos e baixos em todos os longas que atua, pois ele começa por baixo, tem um alto miolo de todos os filmes e termina mediano, e isso não foi apenas nesse longa que vi, ocorre em todos. Mas tirando esse detalhe do protagonista ter essa pequena variação de interpretações, ele consegue conduzir bem o filme ao trombar com coadjuvantes que em muitos momentos até tentam roubar a cena com suas desventuras, e todos agradam de forma divertida. Somente a personagem da esposa de Lázaro, Fernanda Machado que achei meio apagada demais. Destaque do longa fica na minha opinião para o personagem de Maria Luisa Mendonça que fez de sua Miriam um personagem excepcional.

Nos quesitos técnicos quando vi o nome de Ricardo Della Rosa("Lope", "O Homem do Futuro") na fotografia já sabia que o que veria seriam imagens bem trabalhadas e câmeras ousadíssimas e ele cumpre exatamente tudo isso que com certeza proposto pelo diretor faz planos detalhes e imagens abertas de forma bem incomum, o que agrada. Aliado por uma boa direção de arte que valorizou objetos riquíssimos em todas as cenas desde o hospital até uma doceira meio incomum, e colocando entre tudo isso as diversas locações bem escolhidas conseguem retratar a loucura que é a cidade de São Paulo.

Em resumo, é uma boa comédia, a forma inusitada me lembrou um pouco o filme "Uma Noite Fora de Série" que assisti o ano passado, mas ainda fico com a versão brasileira do estreante Tadeu Jungle que mostrou ter uma boa mão e escolher uma boa equipe para comandar em suas produções. Recomendo com a única ressalva de que faria diferente o final para ser algo mais inteligente da parte do personagem. Encerro essa semana dominada pelo gatinho malvado de botas nas salas daqui do interior, e até sexta que vem pessoal. Abraços.


sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Noite de Ano Novo

É engraçado como alguns filmes que você não dá nada podem conter elementos que te fazem sair sorrindo da sessão. Fui assistir "Noite de Ano Novo", meio que já sabendo o que esperar, um filme lotado de atores que estão em voga e uma história sem roteiro nenhum que tudo se ligasse no final. E o que vi foi isso, mas com algumas pitadas de bom humor e duas histórias de fundo que até agradam bastante, são as de Michelle Pfeiffer e Hillary Swank, não que as demais sejam ruins, mas as principais ficam nelas.

No novo filme do diretor Gary Marshall, que nos mostrou "Idas e Vindas do Amor" no dia dos namorados, agora em "Noite de Ano Novo" ele nos apresenta novos personagens durante a véspera de Ano Novo. O filme celebra o amor, a esperança, o perdão, uma segunda chance e um novo começo, no entrelaçamento de histórias de casais e solteiros, em meio à pulsação e promessas da cidade de Nova York, na noite mais deslumbrante do ano.

O longa como já fez no seu filme anterior possui várias histórias soltas que no fundo até tem alguma pequena ligação(sendo que duas surpreendem pelos seus finais inesperados). Pra falar de todas as histórias meu texto ficaria imenso e como já disse algumas vezes não é a minha intenção. Vou falar de um "erro" diria assim para a história dos bebês, que na minha visão embora o final até traga uma pequena mensagem interessante, achei meio desnecessária e fica apenas como um enchimento e veia cômica instalada no filme. O lance do casamento no início até é interessante para dar o motivo do atraso de Josh Duhamel, mas é desnecessário também. Se tivesse mantido o foco nas 4 histórias de Michelle Pfeiffer, Hillary Swank, Bon Jovi e Ashton Kutcher talvez o filme ficaria mais conciso e agradável, não que não seja divertido e interessante, mas caberia melhor.

Embora seja utilizado o mesmo pano de fundo de seu filme anterior, o diretor soube conduzir melhor a mão nesse e com histórias mais interessantes e menos açucaradas, deve agradar mais as pessoas que no seu filme anterior, o qual faz um merchandising no final que pela primeira vez me agradou(hilário). A questão de arte super bem produzida, acho que deva ter sido filmado na virada do ano passado, mas se não foi gastaram muito com isso também. A fotografia não teve nada de surpreendente preferindo não pecar por exageros, mas bem feitinha.

No quesito atuação, tem gente demais para falar, todos estão bem interessante, tirando alguns papéis inúteis como falei acima poderiam ser cortados para dar mais enfase nos principais. Uma coisa que me intriga é que o De Niro deve tá precisando de dinheiro assim como estava o Nicolas Cage ano passado, pois esse ano já o vi em pelo menos uns 5 filmes, sempre como coadjuvante de luxo. Os destaques ficam para Hillary Swank, Michelle Pfeiffer e porque não para Josh Duhamel que fazem boas interpretações e tem as principais histórias nas mãos.

No quesito musical, temos boas músicas além das que já aparecem no trailer, aleluia algum que manteve as do trailer, unidas com as cantadas por Bon Jovi e Lea Michelle que agradam também. Ficou interessante o dueto à distância.

Enfim, não é algo que você vá ao cinema e saia nossa vi um filmaço, mas não é tão ruim quanto eu esperava ser, deve agradar a todos que procuram apenas uma diversão para ver no cinema, sem precisar pensar numa história profunda. Recomendo com essas considerações apenas. Por hoje é só, amanhã talvez tenha um que não vi da semana passada e só nessa semana em que "O Gato de Botas" dominou as salas de cinema. Até mais pessoal, abraços.


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Os Especialistas

Filmes baseados em fatos reais, em sua maioria são dramas, aparecer um de ação policial são pouquíssimos, pois em sua maioria possuem fatos que não podem ser contados. A história vista aqui em "Os Especialistas", embora seja baseada num livro que conta a história vivida por Ranulph Fiennes, muita coisa acredito ter sido inventada, pois sem querer estragar a trama mas o próprio personagem de Fiennes só aparece no final do longa, então o que ele pode saber sobre o que aconteceu antes ou depois do que ocorre com ele podem ser considerado tudo como boatos. Porém tirando a ideologia de como fatos reais, o longa tem uma boa trama policial, até poderia ser considerada como "criminosa", pois são a elite dos eliminadores, como o próprio título em inglês diz "Killer Elite" mas vou parar por aqui senão daqui a pouco entupo o texto de spoilers.

A sinopse do filme é simples e não revela muita coisa, Danny é um ex-fuzileiro naval do Serviço Aéreo Especial da Grã-Bretanha que acaba sendo forçado a sair de sua aposentadoria para salvar seu mentor, mantido em cativeiro. Juntos, eles lutam contra o líder de uma sociedade militar secreta e precisam se livrar de três assassinos contratados para matá-los.

Embora seja uma trama envolvente, o longa possui um dos principais problemas das produções do gênero de ação policial, que é manter os espectadores presos com atenção durante toda a duração do filme, que é alongada por quase 2 horas de projeção. O filme é extremamente complexo e alguns pontos acabam sendo nem tanto revelados e em certos momentos mesmo necessitando de extrema atenção para se entender a idéia do longa, o filme da uma certa canseira e faz com que percamos a atenção na tela.

Falar de atuações, quando se tem um time formado por Jason Statham, Clive Owen e Robert De Niro é uma das coisas mais fácil de se fazer, e poderia passar horas aqui falando sobre cada um deles, todos conseguem eximir ao extremo todo o seu potencial para o longa seja em cenas de ação onde Statham sai pulando por todos os cantos da tela e mostrando golpes de luta em quase 100% do longa ou ainda por mostrar um De Niro, mais velho e experiente mas mesmo assim ainda impacta com sua presença nas cenas que aparece, até poderia ser um pouco melhor, mas são poucos os momentos que fica em tela. Agora um perfil novo temos para Owen, que se mostra completamente diferente do que já vimos em suas atuações e em seu visual(agora com bigode), embora não seja um vilão nato que tanto gostaria de ver nas telas fez bem o papel que lhe foi proposto.

Um ponto interessante de notarmos no longa é a direção de arte voltada para os anos 80 que é onde se passa a história do filme, o trabalho foi bem feito nas cenas onde existe a preocupação em mostrar elementos, e nas cenas de rua com os carros típicos da época (que não são poucos, devem ter chegado numa fábrica e pego todos os possíveis para enquadrar em cena). A fotografia empregada também ajuda por não empregar tantos planos abertos, o que facilita bem o serviço da arte para não necessitar de tantos objetos de cena da época. O tom usado nas cenas desérticas de Omã também ficaram bons, pena o filme não ter ficado tanto por lá, que seria algo mais interessante em quadro.

As trilhas sonoras é um ponto que merecia ter sido melhor analisado antes da conclusão do filme, pois diversos momentos entra uma trilha de suspense tão forte e alta que a cena em si nem pede tudo isso, parecia mais estar num filme de terror monstruoso onde o vilão iria atacar a mocinha do que num filme de ação. Nesse quesito o longa se perdeu bastante.

Enfim, é um longa razoável, não é ruim mas poderia ser melhor. O que me surpreendeu foi ter a sala lotada tendo pessoas sentadas desde a fileira A até a fileira K, sobrando apenas 2 ou 3 poltronas, o que deve fazer os cinemas permanecer com o longa mais semanas e até mesmo transferi-lo para uma sala maior. Recomendo ele mais para fãs do gênero ação policial, que já sabem o andor e como é a condução de um filme desse tipo, pois para os demais vão achar um longa cansativo e até reclamar ao término do mesmo. Encerro por aqui, mas essa semana ainda tem mais um post por aqui, então abraços e até breve pessoal.


domingo, 4 de dezembro de 2011

O Gato de Botas 3D

Acho que 2011 já pode ficar marcado como o ano das melhores animações no cinema, pelo menos na minha opinião até agora. Quando vi o trailer de "O Gato de Botas", sinceramente não esperava nada dele, achava que apenas contaria a história do gato até se tornar o que aparece no "Shrek", mas muito pelo contrário, é um longa a parte com história bem própria e que agrada em cheio por usar elementos western juntamente com lendas já conhecidas como "João e o Pé de Feijão".

O longa faz com que conheçamos o divertido Gato de Botas desde seu nascimento, como um fofo gatinho, até ele se tornar o felino visto em Shrek. No filme, Gato de Botas irá se juntar a mais dois amigos, Humpty e Kitty para tentar capturar a famosa e cobiçada ganso que põe ovo de ouro. Será que essa quadrilha vai conseguir concretizar o plano?

Com um roteiro voltado para todos, o filme faz rir em diversos momentos tanto com os personagens principais quanto com os elementos figurantes que nos divertem a cada aparição (destaque para os gatos do beco mais principalmente para a gata que dá tiradas), elementos western colocados tais como janelas e o clima árido engrandecem o cinema animado pois não fica na mesmice de sempre e com esse timing que foi visto já em "Rango" esse ano, o diretor conseguirá agradar até os mais críticos por aí.

A direção de arte do filme soube valorizar elementos pequenos que aparecem por todo canto caracterizando a pequena vila onde o longa se passa e ao contar o passado do Gato com Humpty, todos ficamos mais dentro do contexto ainda do longa.

Com trilhas sonoras sempre marcadas por violões e castanholas, o longa segue no mesmo ritmo deixando a aventura rolar solta numa boa velocidade, apenas diminuindo um pouco no miolo, que chega a ser um pouco cansativo, mas não atrapalha pois volta a empolgar no final agradando com um bom fechamento para a história. E com a clássica dança final que já estávamos acostumados no "Shrek", acompanhados dos gatos músicos do beco.

Quanto do 3D, usaram bastante a profundidade de campo em tudo tanto que ao tirar o óculos vemos muitas imagens embaçadas na maioria do longa, porém não espere nada vindo em direção da tela. Também foi usado em alguns momentos a câmera em 1ª pessoa que agrada também, mas acredito que não é um filme necessário de se assistir com a tecnologia.

Enfim, é um bom longa, muito bem desenhado e que fez por incrível que pareça a sala lotada de crianças que pareciam querer destruir as poltronas antes de começar o filme, ficarem todas quietinhas durante o longa todas e saírem felizes da sala, ou seja agrada os pequeninos bem mais que o nosso último "Shrek" que a garotada já estava pulando no meio da sessão. Para os pais ou adultos que forem assistir a garantia de risadas é válida pois como já visto nos filmes da Dreamworks o pessoal sempre põe boas piadas adultas no meio do longa. É isso, recomendo o longa pra todos, e deve lotar as salas na próxima semana quando estrear. Fico por aqui, mas amanhã tem mais. Abraços pessoal.




sábado, 3 de dezembro de 2011

Os Muppets

É interessante assistir a animações que nos remetem à lembranças de infância, "Os Muppets" foi um dos desenhos que mais acompanhava quando criança e assim como "Os Smurfs" tem um pedaço da minha memória dedicado exclusivamente à eles. Porém deixada a infância de lado, e falando mais sobre a obra cinematográfica, o que assisti hoje foi algo divertido, porém achei exagerado os atores "cantores" nos seus momentos musicais, claro pode ser que seja devido a dublagem da música, mas ainda fico com a opção dos atores parecerem estar mais em um concurso de sapateado do que num filme. Quanto dos bonecos um show a parte em todos os quesitos, tanto que na sala que assisti tanto os adultos(relembrando sua infância) quanto as crianças que acabaram conhecendo agora os fantoches, empolgaram com o filme e já estavam juntos na contagem regressiva final, torcendo pelos personagens.

O filme mostra que após três fãs dos Muppets descobrirem o plano do malvado Tex Richman de destruir o Teatro Muppet e ter acesso ao petróleo que está no subsolo do terreno, eles tentam reunir Caco, Miss Piggy, Gonzo, Fozzie e Animal, agora espalhados pelo país, para organizar um show beneficente e salvar o estúdio de cinema das garras do ganancioso vilão Richman.

O ponto interessante do roteiro é conseguir agradar tanto às crianças, pois os bonecos são carismáticos, sempre foram, e agora de forma bem incorporada à realidade atual, eles foram contextualizados de modo que nem mesmo o mais saudosista ficasse preso aos bonecos no passado e com isso diverte os adultos até os mais chatos. A única coisa que deve incomodar mesmo, é o lance de ter vindo apenas com cópias dubladas, afinal é um filme Disney teoricamente voltado apenas para crianças, e com isso dublaram até as canções feitas pelos protagonistas humanos, que pareceram soltos na trama.

Como já falei acima, não gostei dos atores, principalmente o vilão que na sua parte de cantoria eu quase me recusei a ouvir tampando os ouvidos, é algo desastroso. Na minha opinião deveriam apenas seguir atuando e deixar a cantoria apenas para os bonecos que aí sim agradariam. Todo o elenco de apoio que aparece para dar um gás na trama fazendo o mesmo que ocorre sempre nos Teleton reais, agrada pois fazem apenas os seus "papéis reais".

A trama convence e emociona, por tratar do tema de resgate à amizade e na busca de todos que algum dia pode fazer você feliz, e com isso deve gerar aquela pequena lágrima em alguma cena e/ou fazer com que você no final esteja torcendo pelos bonecos e querendo socar o vilão que até tem jeito para ser ruim, mas consegue fazer caras tão bobas que dá mais vontade de socar ele pelas caras do que pelas maldades em si.

As músicas dubladas estão agradáveis, mas as originais grudam mais na cabeça assim como a do trailer que toca também durante a cena da faxina. Confesso que quero assistir a versão original para poder tirar conclusões melhores, mas isso somente quando sair nas locadoras.

Enfim, é um bom filme que recomendo ver com a família toda, pois os mais velhos irão recordar e os mais novos vão conhecer o que era um bom programa de TV, aqui cabe um parênteses com a sacada do filme ao mostrar as porcarias da TV que as crianças gostam de ver hoje. Poderia ser melhor, mas vale o ingresso. Fico por aqui hoje, mas amanhã tem mais. Abraços pessoal.


terça-feira, 29 de novembro de 2011

Imaturos (IMMATURI)

Quando falo que comédias não precisam usar de escatologias nem de coisas pesadas para fazer rir e agradar uma sala lotada, muitos falam que estou errado. E eu repito aqui, hoje a sessão da 7ª Semana Pirelli estava com um coro alto de pessoas para ver "Imaturos" (Immaturi no original) e todos se divertiram por demais com uma comédia leve, bem feita e bem trabalhada com um tema sério e bem tratado que é os estudos entre um grupo de amigos já com uma boa idade, a sinopse diz melhor que eu, então vamos a ela.

Giorgio (Raoul Bova), Lorenzo (Ricky Memphis), Piero (Luca Bizzarri), Luisa (Barbora Bobulova), Virgilio (Paolo Kessisoglu) e Francesca (Ambra Angiolini): o que eles têm em comum? Há 20 anos eram colegas de classe. Mas, acima de tudo, eram amigos e formavam uma turma. Então, algo aconteceu e o grupo deles se desmanchou. Mas em breve voltariam a formá-lo, pelo menos por alguns dias, pois o Ministério da Educação cancelou seus exames finais e eles deverão refazê-lo. Perdendo, assim, todos os títulos alcançados sucessivamente. E, por isso, vão se reunir novamente, como nos velhos tempos, com algumas rugas a mais e cabelos a menos e com o desejo de sentir o gosto da juventude e do aprendizado, já que aquele tempo já passou. Uma comédia sentimental que mostra uma geração confrontando sua vida após 20 anos e que passou por diversas experiências, entre sonhos e decepções.

O mais interessante na história é a forma que tudo é confrontado entre os amigos, como a história flui, muitos ao lerem a sinopse e assistirem ao trailer poderiam dizer, nossa é quase o "Gente Grande" do Adam Sandler na versão italiano, eu diria mais que sim pode se assimilar bem ao filme americano, claro removendo todas as escatologias, palavrões e piadas fortes do filme do Sandler, e se pra mim foi o filme americano foi uma das grandes belezas do ano passado pegando pesado, aqui a leveza traz pra tela um filme prazeroso de assistir e ver as confusões dos amigos num encontro passado 20 anos.

O diretor soube dosar as histórias individuais e coletivas de cada personagem de modo a não cansar em cena e os conflitos são expostos em boas doses sem a preocupação com a velocidade. Ai você me pergunta, mas e como fica o ritmo do filme? Eu respondo da seguinte forma que ficou no ritmo mais agradável de se assistir, sem pressa e nem parado, tudo se encaixa e tudo flui, e o principal ponto obrigatório da comédia nos faz rir.

Os atores, não são os melhores que já vi, mas conseguem mostrar bom carisma em cena, divertir e até emocionar em certos momentos, então não posso reclamar de nada. Eles conseguem conduzir a trama com um bom senso que poucos atores mais em alta não conseguiriam nunca. Destaque para Ricky Memphis e seus pais em cena que me fez rir horrores (e também pensar se não devo fugir logo de casa!) e para Raoul Bova que já tinha gostado de sua interpretação no filme de sábado("Ninguém pode me julgar") e agora faz um psiquiatra que sabe resolver os problemas dos outros mas não os seus próprios.

Outro ponto que souberam colocar de forma agradabilíssima foram as trilhas e narrações (as quais já vi que todo filme italiano de comédia tem), pois aqui pelo menos ela está no contexto com o programa de rádio e nele além de narrar alguns acontecimentos, o personagem de Luca Bizzarri escolhe as faixas tocadas somente com grandes canções, um show além de falar o que acontecia no ano em questão, enfim um belo programa de rádio.

Com tudo o que falei, não tem como não recomendar, é uma obra de arte das comédias, agrada na medida e faz as suas quase duas horas de projeção passar que nem se nota. Recomendo que assim que sair em DVD ou se passar em algum cinema, todos vejam pois vale muito a pena. Encerro por aqui hoje, mas amanhã tem mais, não do italiano pois é um documentário então não faz muito meu gênero, mas não vou deixar vocês sem posts. Abraços e até mais pessoal.

PS: A nota até poderia ser maior caso o diretor fechasse o elo iniciado na primeira cena, mas foi uma opção deixar em aberto e não voltar nela, pelo menos acho assim.


Os 3

Filmes brasileiros andaram por muito tempo desaparecidos do mercado principalmente por serem feitos em sua maioria como uma liberação do ego do diretor e não focar tanto no que o público alvo deseja ver nas telas. De um tempo pra cá (mais ou menos 2-3 anos) a produção vem crescendo tanto que só nessa semana estou com 3 em cartaz aqui, sendo esse o segundo que vi, mas ainda fica a pergunta no ar: São muitas as produções feitas no Brasil que o público quer ver? Ainda não muito. "Os 3" tenta fazer uma mistura de reality show com drama num filme e até pode funcionar com o público em geral, mas ainda está longe de ser algo que qualquer um vá pagar para ver.

O filme nos mostra três jovens universitários vindos de pontos diferentes do país que se conhecem durante uma festa e tornam-se inseparáveis. Alugam um apartamento juntos e de tão próximos passam a ser conhecidos como "Os 3". Eles passam quatro anos mergulhados nesta amizade, mas com o fim da faculdade, e tendo de seguir adiante com suas próprias pernas, eles aceitam transformar o apartamento em que moram num cenário de reality show, onde tudo está à venda e onde eles mesmo são os personagens.

A idéia do longa é bem diferenciada, e acredito que seja isso que está fazendo todos os críticos por aí gostarem tanto do filme. Ok, a idéia é boa, mas cabe apenas uma boa idéia agradar? Na minha opinião não. Pois o filme embora divertido e com boas sacadas tem um aspecto sujo e embora tenha um final passível e aceitável, o longa não empolga, é linear apenas com boas sacadas espaçadas durante seus 80 minutos.

Outra boa sacada do longa são as atuações, pois embora "pessoas comuns", os atores tentam atuar dentro do longa e isso faz com que nem sempre precisem estar perfeitos em cena, e muitas vezes não estão principalmente qualquer um que não seja os 3 protagonistas. A química entre os três atores também está bem legal e realmente passam como sendo colegas mesmo de quarto com alguma intimidade aflorada.

O interessante do filme que mesmo sendo uma produção tecnicamente barata, está presente variados objetos interessantes para uma direção de arte valorizada, claro pois faz parte do contexto a venda de produtos, mas aí é que entra o problema, esqueceram de avisar a direção de fotografia para valorizar isso, e os planos quase sempre abertos não valoriza nada que está em cena a não ser a atuação, fechando o foco apenas para detalhes de rostos.

Enfim, o filme não é ruim, tem um bom roteiro e bons atores em cena, só achei que ele acabou sendo mais um filme de festival para críticos idolatrarem e menos um filme para ser vendido comercialmente para o público, agora entendo o porque dos cinemas daqui colocarem ele apenas em horários alternativos, pois não que eu não recomende ele, só que nem todos vão gostar e alguns ficarão com sono. Encerro por aqui, mas a noite tem mais do cinema italiano. Abraços pessoal.


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Sucata (RUGGINE)

Enfim surge na minha opinião o melhor filme do Festival Italiano, "Sucata"(Ruggine no original) é um longa de tema pesadíssimo sim, mas foi tratado pela diretora Daniele Gaglianone com luvas de seda e ao mesmo tempo que faz você se contorcer na poltrona com os sentimentos de dúvida e medo das crianças de uma década onde brincar era o único afazer das crianças de uma periferia, nos faz pensar num tema tão atual que convivemos que é a pedofilia.

Norte da Itália. Final dos anos Sessenta. A difícil pré-adolescência de uma turma de crianças imigradas do sul da Itália, no desolado bairro de Alveari, na periferia de uma cidade grande. Na terra de ninguém, entre a cidade e o campo, um grande depósito – com um imenso monstro de sucata enferrujada – é o lugar de brincadeiras e aventuras. De repente, surge outro monstro, um "ogro" de carne e osso. Duas meninas são estupradas e assassinadas, e repentinamente tudo muda: os conflitos entre gangues adversárias, explorações, primeiros sentimentos tímidos, e a busca frenética pela identidade dentro do grupo, tudo é excluído pelo perigo, naquele verão medonho que cada um levará na memória como um fardo insustentável. Trinta anos depois, Sandro, Carmine e Cynthia ainda estão marcados pelas recordações daquela experiência inesquecível e traumática que deixou sinais profundos.

Já nas primeiras cenas do longa, meu queixo foi parar no chão com uma fotografia feita a meia luz iluminando duas crianças num lugar abandonado, e os planos escolhidos completamente atípicos nos faz envolver e até em certos momentos estar presentes com os protagonistas, seja na versão criança ou na versão adulta. Não queria nem estar falando dessa forma por se tratar até de um spoiler imenso, pois até mais da metade do filme ainda ficamos na dúvida se são as mesmas crianças os adultos, mas como a própria sinopse já explicita vamos continuar, pois creio que não vá estragar tanto a beleza do filme. E essa capacidade de incluir-nos na trama são pouquíssimos diretores que tem o dom de conseguir. Ainda estou maravilhado com isso.

As atuações beiram a perfeição, e quem já trabalhou com crianças sabe o drama que é, pois todas se divertem em cena e transmitem a sensação necessária a cada cena, de crianças pobres, ingênuas e que tem apenas um ferro-velho como "parque de diversão" para se divertirem e lá é onde surge o "monstro" que mais uma vez mostra ser um real monstro da interpretação que já vimos em "Vincere" que é Filippo Timi, segundo filme que assisto dele e me impressiono como suas facetas conseguem demonstrar tudo que sai de suas palavras.

A direção de arte, soube ajudar o longa colocando elementos cênicos usando a melhor característica do menos é melhor, pois deixando o bairro o mais pobre e descampado tudo consegue girar ao redor das atuações e do enredo, pois se rebuscasse com elementos dos anos sessenta vislumbraríamos mais a cenografia que o filme em si, mas não pense que faltou algo, que tudo está lá, o carro, as roupas e até a forma de condução dos personagens, que aí já se apela para a boa direção.

A trilha amarra o longa de forma a manter o suspense/drama que envolve tudo, e também com dosagens minimalistas não o rebusca e faz o que precisa, que é nos deixar tensos presos à poltrona do cinema.

Enfim, um excelente filme, que recomendo totalmente que todos assistam. A experiência de ver ele poderia até ter sido mais gratificante se o Cinemark não tivesse dado tantas bolas fora em parar o filme 5 vezes, sendo uma de mais de 20 minutos, mas algo maior me fez ficar na sala até o fim e sair feliz por ter visto algo maravilhoso, mesmo que o filme não seja para nos deixar feliz. Encerro aqui nesta madrugada, mas amanhã tem muito mais por aqui nessa maratona que está valendo a pena por alguns filmes e principalmente por alguns outros motivos profissionais.

PS: A nota poderia ser de 10 coelhos, e até posso dar ela assim que assistir o filme em casa, mas como no cinema houve todos essas pausas, o filme acabou tendo a magia maior que é a degustação ser ser interrompida quebrada.


Jardim Das Folhas Sagradas

Leiam os três itens acima no pôster, pronto está dito o filme "Jardim das Folhas Sagradas" por completo, pois ele não irá fugir delas: a questão ambiental (além de todo o verde envolvido no filme o protagonista é vegetariano), preconceito racial (mais do que o envolvimento da discórdia de ter um negro na chefia de um banco famoso, existe ainda a questão homofóbica envolvida) e o conflito religioso (que aqui além de envolver o candomblé mixa a briga que envolve as três principais ideologias da Bahia, as religiões católicas, umbanda e evangélica), misture tudo isso e você terá um resumo do filme completo, porém o que poderia ser mais bem explorado, acaba sendo jogado para os leões julgar e acaba sendo um filme para uma minoria e os que não forem adeptos de qualquer um dos pontos que o longa escolhe como "correto" acabará saindo como preconceituoso ou sem entender ou as duas coisas juntas.

O longa de ficção é construído a partir de Bonfim, um bancário bem sucedido, negro e bissexual, casado com uma mulher branca e de crença evangélica. Ele vive na Salvador contemporânea e recebe a incumbência de montar um terreiro de candomblé no espaço urbano. Para isto, enfrentará a especulação imobiliária numa cidade de crescimento vertiginoso, o preconceito racial e a intolerância religiosa. Este homem, embora questione a tradição da própria religião, tem a missão de montar um ambiente sagrado e de respeito à natureza, superando as contradições e conflitos trazidos pela modernidade. 

O filme que conta com uma fotografia muito interessante voltada para os tons verdes, já que a preocupação ambiental existe e é iminente desde todo o trabalho que o protagonista diz ter com a natureza, mas o problema maior do longa está em ser feito para poucos entenderem, pois voltado para as crenças do candomblé muitos acontecimentos do longa passam em cima dos rituais, e com isso as outras causas tais como a bissexualidade do protagonista, a divergência do candomblé com o vegetarianismo e até o preconceito racial com relação a grandes cargos passam batidos do longa e se perdem no emaranhado que o diretor quis mostrar. E ele mesmo acaba sendo preconceituoso com relação às evangélicas, ao zombar dos atos que fazem, não que elas não façam todas aquelas coisas ridículas, mas não era necessário evidenciar.

Como não sou a melhor pessoa para falar sobre religião aqui, caberia nesse momento meu professor de Ciências Sociais, Luis Rufino, melhor explicar o filme pois como um bom antropólogo que ele era saberia explicitar melhor os problemas do longa, então vou me abster de tentar entender o longa como um filme para o público em geral e apenas dizer que não gostei de nenhuma atuação nem da forma como a narrativa do filme flui. A única resposta que busco é como um filme desse cai nas salas de cinema, com muitas cópias espalhadas pelo Brasil enquanto filmes que são bons acabam sendo jogados apenas em algumas salas? Definitivamente nunca irei entender a distribuição brasileira de filmes.

Para não julgar mais, apenas falo que não recomendo o filme para ninguém a não ser que você seja um antropólogo ou estudioso do candomblé e queira ver apenas um filme com uma boa fotografia, mas sem uma resolução adequada. Encerro por aqui, mas daqui a pouco a crítica do filme italiano de hoje. Abraços pessoal e peço que não me julguem por se o filme existia alguma coisa a mais que eu pudesse captar.

PS: A nota está embasada apenas na fotografia que achei bem bonita, ao misturar o verde com cenários urbanos da Bahia.


domingo, 27 de novembro de 2011

Bar Sport

Filmes tradicionais italianos, acabam sendo indigestos para o público em geral, e "Bar Sport" entra nesse time, pois é algo tão incomum que mesmo sendo um festival onde a maioria das pessoas gostam de filmes "diferentes", algumas pessoas acabaram saindo praticamente não estava nem na sua metade.

O Bar Sport é muito mais que um simples bar. Em cada cidade, em cada país, existe um Bar Sport, sempre com as portas que dão para a praça principal. Mais que um local de encontro é um ponto de referência que une diferenças num único espaço, um universo de situações e personagens que já encontramos pelo menos uma vez na vida ou que gostaríamos de encontrar. O Bar Sport, gerenciado por Antonio, também conhecido como Onassis devido à sua avareza, é frequentado: por Tennico, o sabe-tudo que conhece todo mundo; pelo playboy que conta suas aventuras improváveis​​; pelas velhinhas com aspecto inocente e almas pérfidas que sempre sentam na mesinha de canto; pelo inventor que detém o recorde do fliperama; pelos jogadores de bilhar prontos para o eterno desafio com o bar rival Moka; por aqueles que passam dias jogando cartas; por jogadores de futebol, ou melhor, do futebolzinho do bar; pelo namorado deprimido; pelo "Cinno" que sonha em se tornar um campeão de ciclismo; pelo velho que passa o tempo assistindo televisão e cuspindo no chão; pelo professor que dá boas notas para as meninas; por outras personalidades tão simples, quanto excêntricas. Tudo acontece sob os olhos sonhadores da bela moça do caixa, pela qual todos se apaixonam, mas que é louca pelo fascinante padeiro. Além disso, o Bar Sport divulga os feitos dos grandes esportistas que entraram para a lenda do esporte, como Piva, o jogador de chute poderoso adorado pelos torcedores e o grande Pozzi, o invencível ciclista envolvido numa eterna disputa com o famoso Girardoux. Enfim, amor, desafios, cappuccinos, aventuras, viagens, campeões, filhos, avós, sexo e merengues: esses são os temas centrais do filme, uma espécie de "bíblia" da comédia italiana.

Com a sinopse acima, a qual conforme falei no inicio do Festival retirada do site http://www.cinemaitaliano.com.br/7semana/filmes.php , já explica o longa completo para todos, e pasmem, acontece exatamente tudo que está descrito ali, claro colocado muitas animações, ao meu ver indigestas, para tudo que é dito ou mostrado em cena. Não que o longa seja ruim, mas é completamente diferente do que estamos acostumados a ver, e com isso não agrada, cansa e faz pensar se algo desse gênero chama público no país de origem, acredito eu que sim, afinal não trariam para um festival algo que não fosse tradicional deles.

As atuações são estranhas, mas se repararmos na ideologia do filme e for em qualquer boteco de esquina daqueles que sempre tem os tiozinhos lá, iremos reparar nos trejeitos dos personagens que foram bem caracterizados, claro de forma exageradamente escrachada, mas está tudo lá conforme colocado na sinopse acima. A atuação de Giuseppe Battiston (um tipo característico que lembra um pouco Zach Galifianakis) está melhor aqui do que no filme que apareceu na sexta-feira ("Filhos das Estrelas").

Um dos pontos favoráveis que gostei do longa está na direção de arte, pois como falei sobre as características dos botecos de esquina, está tudo muito bem colocado minuciosamente, até o doce que nunca é vendido e está na vitrine a anos só esperando que alguma alma doida o coma, então no quesito visual o longa agrada e bastante, até nos momentos exagerados fora do bar tudo é bem colocado de forma interessante. Claro sempre pecando pelo exagero, mas fazer o que. Porém a nota que darei se considerará pela caracterização apenas, pois me agradou e muito.

Enfim, o filme não deve agradar a praticamente ninguém no Brasil, a não ser aquelas pessoas que dão risada de qualquer besteira, pois havia um senhor na sala que ria de tudo, até imaginei ele estar vendo outro filme diferente do meu. Então não recomendo ele, a não ser que você seja desse estilo que falei, senão do contrário você fará o mesmo que alguns fizeram, desligarão o filme ou sairão da sala apenas. Encerro hoje por aqui, mas nessa segunda tem mais filmes aqui no blog. Abraços pessoal.